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 TEXTO      ELENCO      FICHA TÉCNICA  

 INFORMAÇÕES TÉCNICAS

Fotos Flávio Craveiro

Vander Palma e Marcio Douglas

Marcio Douglas e Andréia Barros

Conceição de Castro e Carlos Rosa

Andréia Barros

Vander Palma

Eva Sielawa, Conceição de Castro, Marcio Douglas, Andréia Barros, Vander Palma, Carlos Rosa e Karina Muller

Carlos Rosa e Karina Muller

Marcio Douglas

A peça "Maria Peregrina" é a décima quarta montagem da Cia Teatro da Cidade, grupo teatral sediado em São José dos Campos. O espetáculo, que estreou em maio de 2000, teve o patrocínio da Johnson & Johnson através da Lei de Incentivo Fiscal de São José dos Campos do ano de 1999 e marcou a comemoração dos dez anos de atividades do grupo na cidade. Em junho de 2002, a peça recebeu o primeiro prêmio no Mapa Cultural Paulista 2001/2002, concorrendo com mais de cem espetáculos de todo o Estado de São Paulo. 

Escrito por Luís Alberto de Abreu, um dos maiores dramaturgos brasileiros da atualidade, o texto narra a história de Maria Peregrina, personagem que faz parte do universo folclórico da região do Vale do Paraíba, tendo sido, inclusive, tema do sexto Caderno de Folclore, de autoria do artesão Benedito José Batista de Melo, editado pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo em 1992.

Maria Peregrina, conhecida também como Nega do Saco ou Maria do Saco, viveu mais de 20 anos como uma andarilha pelas ruas de Santana ( um dos bairros mais antigos de São José dos Campos) e, após a sua morte em 1964, passou a ser considerada santa popular. Diariamente seu túmulo ainda é visitado por dezenas de pessoas em busca de graças e milagres.

A partir de pesquisas e das inúmeras histórias dos moradores locais sobre a andarilha, o dramaturgo Luís Alberto de Abreu optou em trabalhar com o imaginário em torno dos fatos e episódios levantados, transformando o texto em três histórias distintas que narram o universo da personagem Maria Peregrina.

A montagem se utiliza do teatro épico, onde os atores narram e vivenciam as histórias ao mesmo tempo, ora no passado ora no presente. Essa pesquisa levou o dramaturgo ao estudo da estrutura do teatro clássico japonês, o teatro Nô, uma forma teatral antiga desenvolvida no oriente há mais de quinhentos anos.

O autor conta que quando foi convidado para escrever um texto teatral para a Cia Teatro da Cidade aceitou de pronto, primeiramente, pela perspectiva do desenvolvimento de um trabalho voltado à própria região, lugar de uma cultura centenária, tradicional, forte e que vai se modificando profundamente sob o impacto da urbanização industrial, pois, "perceber, registrar, discutir essas mudanças, apontar seus resultados é a função primeira do fazer artístico." 

O PROCESSO DE TRABALHO

Além das pesquisas realizadas pelo elenco sobre as possíveis histórias da personagem Maria Peregrina na região de Santana, os atores estudaram o sexto Caderno de Folclore, do artesão Benedito José Batista de Melo, e a fase Sanatorial da cidade de São José dos Campos. Além disso, conversaram com moradores que conheceram Maria Peregrina e com personagens da cultura popular do Vale do Paraíba, como os mestres de Moçambique Zé Mira e Nhô Carmo e com o pedreiro do cemitério do Santana, Joaquim Goulart. O grupo contou ainda com a colaboração dos folcloristas Toninho Macedo, Flávia Diamante e Ângela Savastano.

Para a utilização da narrativa na montagem, o elenco passou por um longo processo de estudo do Teatro Nô, o teatro clássico japonês, do Teatro Épico e das teorias do teatrólogo alemão Bertolt Brecht. Esse processo foi assessorado por Alexandre Mate, professor e mestre de História do Teatro. Além disso foi realizado um trabalho específico de expressão corporal com o diretor argentino, radicado no Brasil, Reynaldo Puebla, já que os atores representam diferentes personagens durante o espetáculo.

As músicas do espetáculo foram recolhidas das festas populares religiosas e folclóricas interpretadas pelos próprios atores. O cenário, figurino e adereços, também foram criados de acordo com o universo folclórico proposto na montagem. O figurino, em especial, foi inspirado no trabalho das figureiras da região do Vale do Paraíba.

"A responsabilidade de se escrever sobre uma personagem da qual se sabia muito pouco de sua origem era um desafio muito grande para não se aceitar. Maria do Saco ou Maria Peregrina tornou-se para mim um signo da modernidade. Como Maria Peregrina, não somos todos personagens que aos poucos vão esquecendo a origem?"

"Estava envolvido com a pesquisa de um teatro narrativo, que tivesse o saber e o encanto dos antigos "causos", contados à beira do fogão à lenha".

Luís Alberto de Abreu, dramaturgo

"É um espetáculo feito à mão. Simples, com o delicioso cheiro do passado...Como o bife da avó Alcenira!"

Vander Palma, ator

"Atuar, pesquisar, conhecer, buscar. "Maria Peregrina" foi mais do que um espetáculo, foi uma lição de vida. Obrigada Abreu, Seu Zé Mira, Nhô Carmo, Seu Joaquim Goulart, que me mostraram a simplicidade da vida e, como é bom, "simplesmente" viver.

Andréia Barros, atriz

" O processo de montagem nos fez relembrar acontecimentos de nossa infância, fatos e pessoas que fazem parte da nossa memória. "Maria Peregrina" é um texto simples, bonito e forte, que nos leva a fazer várias reflexões sobre a vida!"

Conceição de Castro, atriz

 

" Foi como um peregrino que de um espetáculo a outro, caminhei em busca de um sentido. Em "Maria Peregrina" percebo que escolhi um bom caminho, mas a peregrinação continua..."

Marcio Douglas, ator

" Atuar em "Maria Peregrina" me faz encontrar em mim mesmo muitas dores que eu julgava superadas, ou mesmo desconhecia. Mas, ao contrário do que possa parecer, tem sido um prazer muito grande essa descoberta, como a do bebê que descobre o próprio pé. O Abreu é foda!"

Carlos Rosa, ator

" Ouvi histórias de meus pais e "causos" de meus avós, agora tenho a oportunidade de contar alguns com a mesma simplicidade e beleza dos que ouvi na infância. "Maria Peregrina" me devolveu a um mundo que estava esquecendo".

Karina Müller, atriz

" Contar, cantar, criar "Buscar...É preciso buscar"... Lembranças, sonhos, saudades...Espero que nosso busca traga bons frutos! Obrigada a todos."

Eva Cristina Sielawa, atriz e assistente de direção

 "Há dias, meu amigo, venho de longe, andando vastas distâncias, sou homem preso aos caminhos. Peregrino como tanta gente que ainda espera, depois de perder toda a esperança. Porque isso é o homem..." (Viajante)

Atul Trivedi, assistente de direção

" Mais uma vez foi lançado um desafio para que esses fiéis encenadores se superassem no quesito musicalidade. E aqui está, eles darão acordes, os sons, o timbre, que criarão o pano de fundo, ilustrando, através dessa primorosa narrativa, a riqueza cultural de nosso Vale. Convidamos a todos para uma peregrinação aos sons dos instrumentos; e ao badalar dos sinos, reviver grandes emoções..."

Márcio de Oliveira, diretor musical

 " Dez anos...e o mundo era outro. Mas não mudou o Teatro. O Teatro é isso, essa magia, essa necessidade de buscar cada vez mais e sempre, o significado do homem e da vida. Assim somos todos nós... a eterna busca. E a memória, essa magnífica ferramenta que temos, refaz, a cada espetáculo, essa imensa necessidade de criar e recriar. Trabalhar uma obra do Abreu como "Maria Peregrina" foi, é e será sempre um grande privilégio. Que o resultado possa nos permitir reflexões...Porque isso é a vida."

Claudio Mendel, diretor geral